Questão em destaque · Q1725531

“Canção para álbum de moça”: Bom-dia: eu dizia à moça que de longe me sorria. Bom-dia: mas da distância ela nem me respondia. Em vão a fala dos olhos e dos braços repetia bom-dia à

FUNPAR NC UFPR · PM PR · 2017 · Cadete - PM/BM

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P1725531
ID: 1725531
Língua PortuguesaAssunto: Pressupostos e subentendidos · Interpretação e Compreensão de Textos
Banca: FUNPAR NC UFPR
Ano: 2017
Nível: Médio

“Canção para álbum de moça”:


Bom-dia: eu dizia à moça

que de longe me sorria.

Bom-dia: mas da distância

ela nem me respondia.

Em vão a fala dos olhos

e dos braços repetia

bom-dia à moça que estava

de noite como de dia

bem longe de meu poder

e de meu pobre bom-dia.

Bom-dia sempre: se acaso

a resposta vier fria

ou tarde vier, contudo

esperarei o bom-dia.

E sobre casas compactas

sobre o vale e a serrania

irei repetindo manso

a qualquer hora: bom-dia.

Nem a moça põe reparo

não sente, não desconfia

o que há de carinho preso

no cerne deste bom-dia.

Bom dia: repito à tarde

à meia-noite: bom dia.

E de madrugada vou

pintando a cor de meu dia

que a moça possa encontrá-lo

azul e rosa: bom-dia.

Bom-dia: apenas um eco

na mata (mas quem diria)

decifra minha mensagem,

deseja bom o meu dia.

A moça, sorrindo ao longe

não sente, nessa alegria,

o que há de rude também

no clarão deste bom-dia.

De triste, túrbido, inquieto,

noite que se denuncia

e vai errante, sem fogos,

na mais louca nostalgia.

Ah, se um dia respondesses

Ao meu bom-dia: bom-dia!

Como a noite se mudara

no mais cristalino dia!


Considerando o poema acima e o livro de que ele é parte integrante – Claro Enigma (1951), de Carlos Drummond de Andrade –, assinale a alternativa correta.

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