Questão em destaque · Q1731600

Em Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística, Marcos Bagno estabelece uma clara distinção entre as abordagens normativa e descritiva. A primeira busca p

IFSUL · IFSUL · 2018 · Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico - Área: Letras Português/Inglês

Resolva a questão abaixo e continue estudando com o banco de questões.

P1731600
ID: 1731600
Língua PortuguesaAssunto: Análise sintática · Análise das estruturas linguísticas do texto · Interpretação e Compreensão de Textos · Sintaxe
Banca: IFSUL
Ano: 2018
Nível: Superior

Em Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística, Marcos Bagno estabelece uma clara distinção entre as abordagens normativa e descritiva. A primeira busca prescrever instruções mediante regras que, na maioria das vezes, seguem critérios de cunho social e não linguístico. A segunda, por sua vez, efetua um trabalho de definição, classificação e interpretação em que não há a intenção de julgar, mas sim de compreender os fenômenos observados. Tanto nessa obra quanto em publicações posteriores, como na Gramática pedagógica do português brasileiro, o autor fundamenta seu posicionamento em uma visão descritiva. Adotando tal perspectiva, leia a seguir “O poeta da Roça”, de Patativa do Assaré.


Sou fio das mata, cantô da mão grossa,

Trabaio na roça, de inverno e de estio.

A minha chupana é tapada de barro,

Só fumo cigarro de paia de mio.


Sou poeta das brenha, não faço o papé

De argum menestré, ou errante cantô

Que veve vagando, com sua viola,

Cantando, pachola, à percura de amô.


Não tenho sabença, pois nunca estudei,

Apenas eu sei o meu nome assiná.

Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,

E o fio do pobre não pode estudá.


Meu verso rastero, singelo e sem graça,

Não entra na praça, no rico salão,

Meu verso só entra no campo e na roça

Nas pobre paioça, da serra ao sertão.


Só canto o buliço da vida apertada,

Da lida pesada, das roça e dos eito.

E às vez, recordando feliz mocidade,

Canto uma sodade que mora em meu peito.


[...]

(ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá: filosofia de um trovador nordestino. Petrópolis: Vozes, 2004.).


Considerando as ponderações de Bagno (2012) e o poema acima, analise as seguintes afirmações:


I. As palavras sublinhadas no texto apresentam uma apócope muito difundida no português brasileiro, a qual corresponde à supressão da consoante em final de palavra. Ainda que o texto possibilite identificar o enunciador como falante de alguma variedade rural ou como um indivíduo pouco escolarizado, o fenômeno também pode ser observado na fala urbana de sujeitos mais letrados, em situações nas quais não há um alto monitoramento estilístico.

II. As palavras “trabaio”, “paia”, “fio” e “mio” têm uma grafia que representa o processo da vocalização (deslaterização/despalatização) de [] em [i]. Por sua vez, a expressão “Sou poeta das brenha” revela um desvio de flexão e concordância nominal, tendo em vista que “brenha” significa mata espessa, virgem e deveria obrigatoriamente ser escrita no plural, independentemente do seu determinante.

III. As palavras “percura” e “argum” registram, na forma escrita, um processo fonético/fonológico denominado rotacismo, e a palavra “veve”, um abaixamento vocálico.


Estão corretas as afirmativas

Flashcards Master

Responda à questão para liberar o gabarito e as estatísticas.

Carregando plataforma de questões...